Uma oração respondida

     Me lembro de um dia ter suplicado ao SENHOR para que me colocasse no caminho certo, pois ansiava aprender acerca da Verdade contida nas Escrituras. Eu sabia no que acreditar, mas não sabia como acreditar. Assolado por males nomináveis, porém incompreensíveis em suas totalidades, e aterrorizado pela visão de um futuro cinzento e incerto, em meio ao caos e confusão do mundo, abafado pelas milhões de vozes que reivindicam a verdade, o D'us de Israel, em nome de Yeshua (Jesus), ouviu a minha oração. Bendito seja!

     E foi assim que conheci o Ministério O Som do Céu pelo Youtube, mas não me lembro exatamente qual dos aconselhamentos me afetou de forma a me tornar, hoje, um membro do ministério. Sei que vasculhava a esmo por pregações quando me deparei com o canal e protelei por algum tempo até ser incomodado o suficiente para, enfim, assistir um aconselhamento. Com o tempo fui instigado a ver mais vídeos, um após o outro, eu fazia o download no formato mp3 para ouví-los no celular.

     Naquela época eu tinha muitas dúvidas com relação a praticamente tudo, sem generalizar, mas pouco me foi esclarecido nas igrejas que visitei ou na que ainda costumo frequentar. Existe um ensinamento, porém, esse é raramente aprofundado. Eu me questionava: "Mas onde isso está escrito na Bíblia? Será que isso é Bíblico? Por que ele ou ela não lê a passagem onde está escrito? Onde estão as referências nas Escrituras?". Me sentia angustiado porque ninguém ensinava, apenas falavam e falavam, explosivos ou sensacionalistas, sentimentalistas ou materialistas, e as dúvidas se acumulavam dentro de mim. Eu não descredibilizo essas pessoas, nem arrisco dizer que estão erradas, amo os membros da igreja que frequento e, principalmente, minha pastora, ela é uma pessoa simples e muito íntegra, cuja vida agradeço ao Eterno, sei que ela passou madrugadas em claro orando em jejum por mim, porém, eu sentia uma terrível lacuna que crescia mais e mais a cada novo contato com a teologia cristã reformada, esticada e comprimida centenas de vezes, há muito desgastada por meras inclinações humanas.

     Me perguntava se, atualmente, existiam Judeus que acreditassem no Mashiach (Messias) sem abandonar as tradições judaicas e as leis mosaicas. Sentia que eles eram os mais capacitados a ensinar os gentios porque guardavam e estudavam as Escrituras de uma forma que esses não poderiam fazer. Bem, acho que eu estava certo! Fiquei impressionado, e muito feliz, quando soube da existência dos messiânicos, que afinal, persistem desde o princípio do evangelho.

     Aos poucos, as dúvidas foram sendo diluídas, e embora me restem muitas outras, aquelas que mais me incomodavam foram, enfim, esclarecidas. Era como se de alguma forma eu soubesse desses ensinamentos, como se outrora meus ouvidos tivessem captado isso em algum momento, como se isso tudo fizesse parte de mim, mas que, incólume, aguardava por seu despertar. Conforme ouvia, meu coração consentia.

     Ao entrar em contato com a missionária, essa foi receptiva e paciente em elucidar inúmeras questões, tempo depois conheci seu marido, Carlos. Minha comunicação com ambos foi crescendo ao ponto nos tornarmos amigos sem nunca nos conhecermos pessoalmente. Hoje eles intercedem por mim, na minha recuperação, libertação e novo nascimento. Às vezes tenho uma pequena sensação de que alguém está orando por mim, começa com uma leve brisa atravessando meu corpo, preenchendo-o com algo muito sutil e, de repente, eu peso menos que uma fatia de pão, nesse instante sou tomado por uma singular certeza que me conforta de uma forma inexplicável, de que, afinal, eu não estou só.

     Essa face do evangelho é uma das muitas que me surpreende e que muito estimo, saber que existem pessoas que eu nem conheço, como os membros da reunião de oração, que oram por mim sem, igualmente, nunca terem me conhecido. Todos unidos por algo em comum, pela fé na pessoa excepcional, admirável e maravilhosa do Mashiach, do qual é impossível conhecer e ignorar ou conhecer e não amar.

     Apesar de ainda estar passando por uma fase muito difícil na minha vida, quando vasculho meu âmago em suas profundezas mais caóticas – onde forças opostas e inconciliáveis lutam entre si para se estabelecer, o velho e o novo eu em permanente beligerância –, encontro uma centelha divina, um fragmento ínfimo e luminoso, como uma brasa que se desprende da fogueira em direção ao céu, e percebo que estou a espera de algo, algo incrível, extraordinário, estou esperando por um milagre! E esse milagre é meu novo nascimento, e tão certo como Adonai existe, vai acontecer! Quase um ano depois de ter conhecido o ministério muita coisa aconteceu, a mim e àqueles que me são próximos, desejei desistir inúmeras vezes e acho que em algum momento cheguei a fazê-lo. Mas "algo" sempre me trazia de volta, foi então que, maravilhado, percebi que, por mais que eu tentasse desistir de tudo, D'us nunca desistiria de mim. Quão fiel e incrível é o nosso D'us! Que amor é esse? Me lembro da primeira sensação que tive quando me dei conta desse amor, foi de profundo constrangimento pela convicção do pecado que havia em mim.

     Eu aprendi mais nos últimos dois anos – os anos da minha queda, os piores que já tive após ser ferido pela mesma espada que bravamente empunhei em defesa daqueles que tanto amava – do que em toda a minha vida. Porque às vezes é preciso cair para olhar para cima e contemplar a grandeza de D'us, é na dificuldade, diante do impossível, na tormenta mais tenebrosa, que Ele revela todos os Seus prodígios. Yeshua, pelo Espírito, tem me ensinado coisas inestimáveis: eu fiquei muito mais sensível em perceber a beleza do mundo ao meu redor, os sons, as cores, os cheiros, a luz, a vida, tudo se abriu como uma flor para receber os raios do sol. O conforto de uma nuvem de fímbria dourada; a paz de um grupo de abutres pairando em círculos nas correntes de ar ascendentes; a pluralidade do canto dos pássaros; os diamantinos orvalhos da manhã; o magnífico estrondo de um trovão; a perfeição do nascer e o pôr do sol que, por alguns instantes, transforma tudo o que toca em ouro; a lembrança da microscópca existência humana nas luzes das distantes estrelas do céu noturno; os lamentos em gotas d'água nascidas de colunas de nuvens, explodindo contra a superfície das coisas, escorrendo por elas e escurecendo-as; uma delicada formiga carregando um naco de folha; o valor e a essência de uma lágrima; a raridade e o consolo de um abraço; a beleza e o significado de um sorriso; os complexos sentimentos do meu próximo, sua dor, angústia, sofrimento, tristeza, desespero, carência, medo, solidão; tudo isso me fora revelado pelo Espírito de D'us que também me abençoou com mais empatia, altruísmo e humildade. Eu ganhei novas consciências e outras foram refinadas, fui levado à confrontar a mim mesmo, à refletir sobre a minha maldade, sobre a condição humana, sobre meus erros, transgressões, corrupções, pecados, e as consequências desastrosas desses. Quando exposto sob à luz do Mashiach, pude olhar para mim mesmo e observar com horror todos os detalhes que antes se ocultavam nas sombras da ignorância. No começo, era como se eu estivesse banhado em petróleo caminhando sobre um infinito lençol branco que se estendia em todas as direções, vendo que um rastro negro se formara em tudo o que tocava, desejei voltar para o abismo de que saíra. Mas era tarde demais, Yeshua havia me conquistado, eu já estava nas mãos de D'us, e não há quem possa me arrebatar das mãos d'Ele. E essa "pestilência" está aos poucos sendo curada conforme caminho sobre a vastidão desse manto alvo.

     Hoje tenho a plena convicção de que estou no caminho certo e não tenho palavras para descrever o quão sou grato ao Eterno por sua misericórdia, pela oportunidade de participar desse ministério comprometido com a Verdade e pela vida de meus novos irmãos. Embora me falte muito para ser chamado de filho de D'us, o primeiro passo fora dado. Ouvi alguém dizer que seria difícil, mas nunca que seria impossível. Ora, e mesmo se fosse, não é Adonai o D'us do impossível? Agradeço pela minha luta, por tudo o que tenho e tudo o que me foi tirado.

     Desejo de todo o meu coração e com todas as minhas forças, que Adonai, em nome de Seu filho Yeshua, visite o seu coração, e que um dia, quando defronte a um espelho, você reconheça em si mesmo uma certa semelhança com El'azar (Lázaro), aquele que das sombras ouviu a voz da Verdade e seguiu o Caminho para Vida, ressuscitando dos mortos.

– Raphael F.